Ana, a Lúcida
Ana, a Lúcida
Biografia de Ana Plácido, a mulher fatal de CamiloAutor : Maria Amélia Campos
Editora : Parceria A. M. Pereira
ISBN : 979 972 8645 62 5
Dimensões : 170 x 240 mm
Num relato vibrante e arrebatador, os episódios romanescos da vida de Ana Plácido vão passando perante o olhar atónito do leitor: os sonhos de menina, o casamento precoce e contrariado, o jogo de olhares com Camilo no Baile da Assembleia do Porto, o amor clandestino. A intensidade do drama adensa-se com o escândalo do adultério, a expulsão de casa, os enxovalhos e a maledicência, a humilhação da clausura forçada, para atingir o clímax com a prisão dos amantes na Cadeia da Relação do Porto. Depois da libertação, segue-se o esfriamento da relação entre os amantes, as dificuldades económicas que marcaram uma vida errante e um amor intermitente, e a vida conjugal e familiar com Camilo até à sua morte (1890).
A pontuar todas as etapas da vida de Ana Plácido, Amélia Campos assinala a presença constante do seu amor pela literatura e a aspiração a uma idealidade indefinida de contornos românticos.
Impõe-se a faceta, até agora descurada, de Ana Plácido enquanto jornalista produtiva e independente, colaboradora profissional de Camilo Castelo Branco. Sublinha-se a sua faceta, até agora esquecida, de tradutora e escritora inspirada, detentora dessa capacidade de sentir e de escrever o sentimento dramático da vida, pese embora as aspirações criadoras que, ainda assim, ficaram por cumprir em toda a sua plenitude. Enfatiza-se ainda a sua face de mulher de negócios, rendeira, bastião da casa de família.
Ao longo da biografia, como pano de fundo dos enredos desta alma inquieta, emerge o panorama de uma sociedade estupefacta perante a desfaçatez, a ousadia e a determinação desta mulher, numa época em que a reserva, a submissão e a modéstia delimitavam com rigidez o universo feminino.
É assim que esta biografia acaba por oferecer também um painel colorido sobre a sociedade burguesa nortenha da segunda metade do séc. XIX e o quadro mental que a enformou, com os seus códigos de conduta e de sociabilidade, modelos de feminilidade e masculinidade, formatos de educação, tabus, falsos moralismos, vícios privados e públicas virtudes.
Anabela Galhardo Couto
