O Espelho Atormentado
O Espelho Atormentado
Autor : Russell EdsonEditora : Ovni
ISBN : 9789898026019
Páginas : 178
Dimensões : 190 x 140 x 12 mm
Edição bilingue.
Os poemas de Russell Edson definem um padrão de difícil comparação, sobretudo pelo vigor e magia das suas criações, com frequência situações banais distorcidas de modo bizarro. Insinuam-se com a simplicidade e a surpresa de um relato de humor sobre um acontecimento estranho, mas avançam numa lógica alternativa para um desfecho imprevisível. Desafiando a interpretação mais simples – que o estilo poderia fazer supor –, abundam referências sexuais e escatológicas, numa metamorfose constante, que tanto desorienta o leitor quanto a personagem mais sacrificada, que estimula o riso e o desconforto com igual propriedade.
"Russell Edson, como poucos autores, provoca no leitor a sensação de viagem numa montanha russa, pois partindo muitas vezes duma situação banal, consegue a surpresa: Os elefantes gostam de roupa interior em serapilheira, Uma velha deu à luz uma ninhada de ratos., Andavam a transformar animais em pessoas, Havia um homem que queria comprar um velhote numa loja de antiguidades, Um piano havia feito uma bosta monumental. Só para dar alguns exemplos. Um dos principais objectivos de Russell Edson é provocar o riso e o desconforto. Leia-se:
Segredos Genitais
Perguntaram a uma mulher se o seu bebé era menino ou
menina.
Não sei, nunca espreitei. Não me parece correcto invadir
assim a privacidade das fraldas, esse lugar de segredos
genitais.
Mas não gostava de saber se é menino ou menina?
Se lhe crescerem bigodes chamo-lhe Henry. Se não
chamo-lhe Henriquetta. Disse a mulher.
E supondo que lhe crescem penas?
Nesse caso forro-lhe a gaiola com o jornal de ontem e
dou-lhe um biscoito, disse a mulher. Mas se lhe crescerem
bigodes chamo-lhe Henry. Se não crescerem chamo-lhe
Henriquetta e dou-lhe outro biscoito…
Muitos dos textos fazem lembrar sketches dos Monthy Python. O humor desconcertante é recorrente. No entanto, não se pense que não podemos encontrar momentos de “verdadeira” poesia no livro. Leia-se Mensagem, A Noite Invadida, Método, onde, de forma clara, o autor coloca de lado o “objectivo” de contar uma história, procurando antes desconcertar o leitor com ideias em vez de imagens.
Apesar de precipitado, pois o ano editorial ainda nem a meio vai, se hoje tivesse que escolher o melhor livro de 2008 ele seria O Espelho Atormentado."
Manuel A. Domingos, meia-noite todo dia ( do blog )
